Fosca. Visão de quem acorda em outro mundo é fosca. Querer que fique claro é tolice. Dias se passaram e a cada instante a percepção de que estava na escuridão era mais clara.
Ainda é.
Visão mesquinha de quem conhecia cidades e cidades, mas não conhecia pessoas. Se fosse fácil conhecê-las. Se fosse agradável...
Vi o Pão de Açúcar, o Corcovado renascer, que lindo, o Jardim Botânico, Copacabana, Ipanema, Arpoador, ESPM... Olhei os ruas, os prédios, as construções coloniais, o céu nublado. Gravei o olhar triste de uma senhora pedindo dinheiro, um senhor asmático sem dinheiro pra comer e voltar pra sua cidade e um catador de latas implorando pra seu amigo lhe acompanhar, pois não queria ver o amigo sozinho, nas ruas. Tinham que "se ajudar".
Isso ocorre em qualquer cidade, sim. Mas a miséria, a mendigagem, as condições sub-humanas, a favela, a violência e a solidariedade. Na cidade, dita, maravilhosa, chocam muito. Principalmente uma pessoa com olhos e mente fechados, como eu.
Olhos que estão se abrindo agora. E, como em bebês ao nascer, lágrimas escorrem. Por tristeza de ver tanta injustiça e compaixão e, principalmente, tristeza por não ter aberto os olhos antes. Por perceber que a minha mente era inocente, quiçá fechada. Há algo pior do que ser fechado? Isso leva à ignorância. Ignorância é aquele que não quer aprender, evoluir. Fica estagnado no marco zero. Ver-me como tal doeu, e ecoa na mente vazia até agora.
A cidade maravilhosa, exemplificação perfeita dos contrastes, começou a clarear a mente de um jovem que vivia em seu mundo tão fechado, tão protegido, que não dava importância para pessoas.
Ainda está tudo fosco. Mas quem sabe eu não consiga, com meus próprios pés, seguir um caminho novo. "O caminho mais fácil, nem sempre é menor que o da dor" (Lama - Luxúria). Espero que eu encontre logo esse caminho. Ó ceus, só espero.
Pedro Henrique Ribeiro
1 Comentário(s) para “O Rio de Janeiro... por Pedro Henrique”
1 comentários:
Não acho que, como disse, o Rio tenha sido um exemplo perfeito de contraste, sequer um exemplo dele.
Pessoas como você e como parte da equipe que foi ao Rio, dispostas a fazer a diferença e a fugir do comodismo, são a transição entre os núcleos classificados como 'contrastantes', aqui. Vocês transitaram, conheceram, marcaram cada um desses núcleos e levaram experiencias dos dois, ao mesmo tempo que passaram as mesmas experiencias aos dois. Logo, esse contraste começa a desaparecer com a presença de vocês, o que já é enxergar muito o caminho certo, mesmo que pouco.
PS: desculpe se não me fiz entender.
PS-parte dois: belo texto.
Postar um comentário